ESCRITÓRIO NOTURNOTHE MAJORNECRONAUTA - O ALMANAQUE DOS MORTOSMSP - NOVOS 50

HOMEM-COISA – RESENHA

finalmente consegui assistir ao filme da Marvel que ninguém conhece. feito no final de 2005 e lançado direto em DVD [além de ter sido exibido como telefilme do canal SciFi] por ser considerado muito ruim, essa adaptação bem livre do monstro de lama dos anos 70 é bem menos pior do que se pode imaginar e se lervamos em consideração o que a Marvel libera nos cinemas anualmente.

o enredo trata de um jovem xerife que chega à cidadezinha pantaneira americana pra investigar mortes e desaparecimentos misteriosos, em meio a protestos de indígenas e cidadãos engajados contra uma empresa petrolífera comandada por um empresário corrupto que explora o solo indiscriminadamente, um suspeito misterioso dos tais desaparecimentos e lendas vagas sobre algo no pântano que assusta a todos [menos o corajoso xerife, inabalável mesmo após achar o corpo mutilado de seu antessessor].

esse enredo é baseado em um HQ antiga do Homem-Coisa escrita por Steve Gerber, que – assim como outros caras do meio – tiveram seus nomes dados a personagens do filme. o monstro no gibi é gerado quando o cientista Ted Sallis, foge de espiões atrás do soro do Super-Soldado [o anabolizante que criou o Capitão América]. ele se injeta com o soro, leva um tiro e cai no pântano – ressurgindo como o triste monstro irracional que não fala, só derrete pessoas com seu toque se elas sentem medo de sua grotesca figura – deixando ilesas as que não sentem medo. isso ajudou a editora a colocar o personagem em aventuras com o Motoqueiro Fantasma e afins.

outro detalhe nerd: o Homem-Coisa foi criado por Stan Lee, Roy Thomas e Gerry Conway; este morava junto com Len Wein, criador do Monstro do Pântano pra DC junto de Bernie Wrightson. ambos os personagens foram publicados com apenas meses de diferença.

no filme Sallis nunca aparece quando ainda era humano, mas é sempre mencionado como um líder indígena assassinado por não querer ceder as terras – e transformado no monstro por magia nativa para se tornar um gurdião elemental e se vingar conscientemente de quem circula pelo pântano, tenha medo dele ou não, até que a perfuradora seja desativada.

o monstro em si, além de ter um objetivo a seguir, é muito mais ameaçador que nos gibis com seu instinto asassino e tentáculos que furam e esmagam as vítimas. seu design é mais exagerado, com galhos brotando da cabeça – lembrando uma coroa – e das costas, um aspecto geral mais de árvore que anda que de homem de lama.

independente das diferenças na adaptação, pras quais não ligo, esse é um legítimo filme B [alguns diriam Z mas não é pra tanto] conduzido pelo diretor Brett Leonard, que faz ponta no papel de legista, mais ou menos como uma homenagem às exploitations dos anos 70 – a cena inicial do casal na canoa é o melhor exemplo – e filmes de monstro como THE LEGEND OF BOGGY CREEK [de 73, falso documentário sobre um pé grande do pântano] e SEMENTE DO DIABO [de 79, sobre empresa que cria urso mutante assassino após despejar detritos químicos na floresta].

e com tudo que filmes B costumam oferecer: atuações ruins ou inexpressivas [em especial o xerife mocinho, que parece o Vesgo do Pânico na TV], buracos no roteiro [de Hans Rodionoff, que fez umas mini-séries pra Vertigo e um prólogo do Homem-Coisa pra linkar com o filme], sotaques sulistas fora do lugar [a filmagem foi na Austrália], uso exagerado de recursos como cenas aceleradas, personagens caricatos, ritmo fora do lugar, repetição de falas, seqüência indiscriminada de mortes, clichês a rodo etc.

MAS é melhor do que parece; o pântano é bem feito, o monstro em si também – tem umas duas cenas boas com ele surgindo da vegetação – assim como os cadáveres em geral [como a LionsGate ia exibir no cinema gastou mais do que em geral nos telefilmes do SciFi], o enredo ecológico razoavelmente bem armado e os clichês – apesar de o serem – não atrapalham a curtição se você encarar o filme como uma zoeira de sexta à noite junto de uma galera.

li pela internerde que é o pior filme da Marvel, que o monstro é tão tosco que deixaram pra mostrar ele todo só bem no final, que pouco se fala do filme de tão vergonhoso etc etc mas isso é balela. é um bom filme tosco, se é que você me entende. tenho um fraco po filme de monstro, ainda mais com climão de exploitation dos anos 70.

e acho que a falha aqui foi mais de marketing que outra coisa. porque sinceramente tem muitos filmes piores com personagens da editora: DEMOLIDOR, QUARTETO FANTÁSTICO e não duvido que JUSTICERO, ELEKTRA, BLADE 3, MOTOQUEIRO FANTASMA [não vi esses últimos mas faço uma idéia]. é mais uma diferença de proporção mesmo. o

HOMEM-COISA cambaleia pelo pântano, mas não agoniza em Nova Iorque como seus parceiros.

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