ESCRITÓRIO NOTURNOTHE MAJORNECRONAUTA - O ALMANAQUE DOS MORTOSMSP - NOVOS 50

pauto meu gosto também pelo que não bate

com o meu.

como com o Warren Ellis. uso ele como exemplo porque – além do trabalho dele como escritor, que em geral eu gosto muito – é o blogueiro que talvez eu mais leia. então comparações acabam rolando.

muita coisa que ele gosta eu não curto, e vice-versa. normal, ninguém é 100% igual, por mais que absorvam os mesmos produtos culturais ou tenham as mesmas influências.

ex.; o Ellis tentou ver mas acabou aboninando o 30 ROCK, a meta-sitcom da Tina Fey. o que acabou rendendo uma zoada neste blog. eu já acho que não é pra tanto – o negócio tem um jeito meio mal-acabado mas é muito bem sucedido no que se propõe, em geral.

já do YEAR ZERO, o disco novo do NIN, eu não gostei muito. tá melhor que o WITH TEETH, mas ainda achei aguado, repetitivo e pouco inspirado – salvo por uma música. e tio W gostou, bastante até.

nada disso me surpreende. como falei, acontece. não sou eu que tô errado, ele que tá certo ou vice-versa. é que nossos gostos são pautados por valores diferentes. e quando digo “valores” falo do que é importante pra uma pessoa que não é pra mim, e vice-versa [de novo]. essa é uma postura meio zen, que parece aceitar a tudo, mas acho que tem mais ainda a ver com saber reconhecer a qualidade de algo.

hoje em dia eu não abomino tanto quem não gosta do que eu gosto – eu tô sabendo melhor sacar o que algo tem de positivo e pra quem aquilo tem apelo. e nem sempre é pra mim. claro que a lógica inicial é: se não gostei não é bom; a gente precisa saber o que é bom pra nós. mas também precisa saber reconhecer que, quando algo não os apetece, não quer dizer que seja necessariamente ruim.

sempre há o público-alvo e nem sempre somos parte dele. isso nem todos reconhecem, mas nem é nossa obrigação – e sim dos especialistas em marketing que vão bolar campanhas pra um produto. como a galera que fez o marketing de guerrilha do NIN [espalhando pendrives por aê com sons e códigos pra sites que levam ao tema de futuro ditatorial do disco - que tem apelo comigo, mas não foi suficiente pra me fazer gostar dele].

a parte que não é fácil – pra mim ou pra qualquer pessoa – é sacar a que uma obra se propôs, pra ver se ela cumpriu ou não o que se lançou a fazer. mas isso nem é dever do espectador \ receptador da mensagem. o lance é cada um gostar de algo ou não pelo que acha certo ou errado. não pelo gosto de um artista que vc gosta, ou jornalista.

por isso sou um advogado de obras ruins. se eu gosto ela não vai ser ruim pra mim.

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