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Maconha pode reduzir câncer?

colado inteiro porque tava na área restrita do UOL.

Tá um cheiro de mato queimado…

por Sérgio Dávila

Por que não há uma epidemia de câncer no pulmão como conseqüência de mais de uma geração inteira de norte-americanos que vêm usando a maconha para fins “recreativos” desde os anos 60? Essa pergunta martela há anos a cabeça do médico Len Horovitz, especialista em doenças do pulmão do renomado hospital nova-iorquino Lenox Hill, chamado por pacientes agradecidos de “Lenox Hilton”.

Parte da resposta que ele buscava pode ter sido dada numa conferência que aconteceu am abril, em Los Angeles. Ali, um grupo de cientistas da Universidade Harvard apresentou estudo segundo o qual ratos de laboratório que foram enxertados com câncer pulmonar humano e então receberam THC, uma das substâncias da marijuana, tiveram seus tumores reduzidos 50%, em média.

Não só isso: a aplicação do tetrahidrocanabinol também evitou que o tumor se espalhasse pelo organismo dos roedores. A medição foi feita em três semanas e em comparação com outro grupo de cobaias que não recebeu a droga. “Claro que você não vai recomendar a fumantes de cigarros, que são os prováveis pacientes de câncer de pulmão, que adicionem a maconha a seus hábitos, mas a descoberta é fascinante”, disse Horovitz, que não esteve envolvido no grupo de estudos de Harvard.

Dos dois anos que passei no norte da Califórnia, na Universidade Stanford, guardo várias lembranças. Duas fortes são ligadas à marijuana. Explico. Uma são os “clubes de maconha”, lugares autorizados a vender a droga para fins medicinais. Sendo São Francisco a cidade que é, claro que não se trata de lugares sóbrios, aonde vão pacientes de câncer ou doentes de glaucoma ou diabetes (e outras doenças que permitem a cobiçada “carteirinha oficial” liberada pelo governador Arnold Schwarzenegger).

São -como dizer?- o que você espera de um “clube da maconha”.

Num deles, era muito popular um “pirulito” feito da erva que passarinho não fuma -ainda vale escrever sobre a fixação dos adultos norte-americanos com os pirulitos, na saúde ou na doença; no primeiro caso, há pirulitos gourmets feitos por chefs como sobremesas de restaurantes estrelados; no segundo, o mais recente vício dos “glitterati” de Hollywood é chupar um pirulito de opiáceo originalmente dado em leitos de hospitais a pacientes terminais que estão sentindo muita dor.

A outra lembrança é uma entrevista que fiz com o economista Milton Friedman, morto em novembro último. O Nobel de Economia (1912-2006) defendia a legalização da maconha “já”. Por motivos econômicos, claro. Se isso acontecesse, dizia, os EUA economizariam os US$ 7,7 bilhões gastos anualmente em policiamento, e aumentaria em até US$ 6,2 bilhões a arrecadação de impostos. Ele se baseava em cálculos feitos por um colega, Jeffrey A. Miron, também de Harvard.

Os dois encabeçaram abaixo-assinado pró-maconha enviado a George W. Bush por 500 economistas e organizado pela ONG Marijuana Policy Project (MPP), daqui de Washington. O republicano ignorou os apelos, como se esperava, mas o debate reacendeu um rastilho de pólvora: o da legalização Estado a Estado. Hoje, 12 dos 50 Estados norte-americanos têm leis que regularizam o uso da maconha medicinal, e outros dois estão em processo. São Connecticut e Nova York.

O primeiro aprovou a lei por maioria, e a governadora vetou na quarta. Serão precisos dois terços dos deputados estaduais para derrubar o veto. O segundo está em pleno debate, mas a proposta conta com o apoio do governador. E do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que acaba de anunciar que agora é independente (o que pode ser um primeiro passo para concorrer à presidência em 2008). Pois ele já disse que, diferentemente de Bill Clinton, fumou, tragou e gostou.

Um presidente maconheiro? Bem, teoricamente seria tão impossível quanto uma mulher ou um negro…

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