ESCRITÓRIO NOTURNOTHE MAJORNECRONAUTA - O ALMANAQUE DOS MORTOSMSP - NOVOS 50

Valeu, Charlie Sheen – Alcoólicos Anônimos contestados na Folha

mais uma cagada tendenciosa do jornal, impulsionada pelo merda do Charlie Sheen. tenho gente da família no AA e digo com a maior tranquilidade que foi a melhor coisa que aconteceu com a pessoa, depois de décadas “na ativa” – como eles dizem. a programação do AA ajuda. em tempo, pra lembrar: Alcoolismo é doença reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, não é essa idéia errada de atitude de gente safada que pode parar quando quer – não, não pode, tá fora do seu controle. e lá eles dão a ajuda pra quem quer parar.

sim, alguns depoimentos são deprês mesmo – mas esse é o outro lado da cultura da bebida que propaga o conceito de encher a cara toda hora como algo muito legal, divertido e descolado. e esses depoimentos são uma das coisas mais importantes pra quem precisa de ajuda. o lado religioso não é o mais importante e é bem genérico – ninguém fala em Jesus ou mesmo Deus, falam em Poder Superior, que cada um entende como quiser e nem precisa seguir dogmas religiosos pra se tratar, é apenas uma parte da programação. uma programação que influenciou bastante o filme CLUBE DA LUTA, por exemplo, e é repetida nos Narcóticos Anônimos, Neuróticos Anônimos e várias outras instituições sem fins lucrativos que foram abertas pra ajudar as pessoas.

Pena que a Folha perdeu mais essa chance de fazer serviço. claro que é bom contestar sempre conceitos antigos estabelecidos, mas é sempre irritante jornalista de grande veículo escrevendo matéria de trás pra frente, pensando em que evidências vai conseguir juntar pra provar seu ponto. é que nem rolou na última eleição presidencial ou no episódio da “ditabranda”. não posso contestar dados de pesquisa alguma, só estou dando minha opinião baseado no que vi e no que vejo. achei um desserviço porque já tem tão pouca gente se tratando disso. E puta merda, o Charlie Sheen além de bater em mulher várias e várias vezes ao longo dos últimos anos, não parece estar nada curado. ele não tem tiger blood, tem é sangue de barata.

link do Alcoólicos Anônimos pra quem quiser procurar um grupo de ajuda [plantão telefônico 24h aqui:11-3315-9333] e aqui o site do Al-Anon, que ajuda as famílias de quem sofre com a doença e nãosabe o que fazer.

Colei a matéria aqui porque é fechada pra assinantes:

Grupo dos Alcoólicos Anônimos tem a sua eficácia contestada

Apesar da fama, método tem o pior resultado na recuperação de dependentes, mostra estudo

Pesquisa mostra baixa adesão ao programa contra o alcoolismo; livro recém-lançado também critica AA

MARIANA VERSOLATO
DE SÃO PAULO

Em uma entrevista desvairada, o ator americano Charlie Sheen atacou os Alcoólicos Anônimos, dizendo ter sido “acorrentado e oprimido” nesse “culto” por 22 anos.
Sheen não é lá um modelo de paciente. Mas deu voz a um silencioso grupo de alcoólatras que não se acham no grupo de ajuda mútua criado há 71 anos nos EUA, e replicado mundo afora.
Aqui, pesquisa da Unifesp mostrou que menos da metade dos frequentadores permanece no AA após três meses, e que a técnica é a menos eficaz contra alcoolismo.
Isso, apesar da crença geral de que o AA tem sucesso em recuperar dependentes.
Os resultados do estudo afirmam que, depois de seis meses, a taxa de abstinência de seus frequentadores é de 9%, em comparação com taxa de 10% entre os que não fazem tratamento e de até 36% dos que combinam remédios e terapia.
O motivo mais alegado pelos que não se adaptaram é a falta de identificação com a filosofia do AA. Outras razões são o clima pesado e a falta de credibilidade (“parece um teatro, os frequentadores não parecem estar sóbrios e há muita demagogia”, disseram voluntários da pesquisa).

CRÍTICAS INCOMUNS
“O AA se diz o melhor tratamento, mas, do ponto de vista científico, só é muito bom para uma minoria”, diz Dartiu Xavier, psiquiatra e um dos autores do estudo.
Segundo o antropólogo e professor da USP Edemilson Antunes de Campos, que fez tese de doutorado sobre o AA após frequentar reuniões por um ano, críticas ao grupo não são comuns no Brasil.
Aqui, o grupo tem grande aceitação: o Brasil é o terceiro país com mais membros, atrás dos EUA e do México.
“Na França, o AA é visto como seita que contraria valores laicos. Aqui, não.”
O cunho religioso do AA é justamente um dos pontos da crítica que Luiz Alberto Bahia, conselheiro de drogadição, faz no seu recém-lançado “O Mito da Doença Espiritual na Dependência de Álcool” (O Lutador, 381 págs.).
Bahia é ex-frequentador do AA e fundador de grupos de ajuda mútua em Minas.
“No AA, o dependente é tratado como pecador e deve aceitar um programa espiritual para ser curado”, critica.
Já para Campos, o alcoólatra se reconstrói no AA a partir da imagem do poder superior. “No AA, o alcoólatra nunca será autônomo; ele deve se reconhecer limitado, o que pode incomodar, mas é essencial à abstinência.”
Para Bahia, os abstêmios foram doutrinados. “O AA tira a liberdade deles, que trocam uma droga por outra.”
Campos, de outro lado, diz que frequentadores até afirmam ser dependentes do grupo, mas têm a chance de escolher entre beber ou não. “O sujeito recupera o controle da vida por meio de um suporte coletivo para reconstruir laços afetivos, sociais e profissionais”, justifica.
Para Bahia, o AA é baseado numa ideia antiga de que vício é desvio de caráter.
“O programa estigmatiza o paciente, e a sociedade tem uma visão deturpada do alcoolismo por causa dele.”
Segundo o psiquiatra Xavier, a maioria dos dependentes tem outros problemas psiquiátricos. “Quem chega no AA não tem isso diagnosticado e, segundo seu conceito original, não pode usar remédio, considerado droga.”
Um quarto dos dependentes têm alguma fobia social. E 80% deles começaram a beber por causa disso. “Aí não faz sentido frequentar o AA, mas tratar a causa.”
Outra crítica é a rigidez . Segundo Xavier, as recaídas fazem parte do processo de recuperação. Mas, no AA, são consideradas fracasso.

DEPOIMENTO

“Lá, as pessoas falam o tempo todo de bebida’

Letícia Moreira/Folhapress

A funcionária pública Roberta, sóbria há 23 dias, em um parque de São Paulo

DE SÃO PAULO

Roberta, 42, é alcoólatra desde os 26. O problema começou quando trabalhava como barwoman. Frequentou o AA, não se adaptou. Hoje, virou funcionária pública e se trata com terapia e remédios.


“Frequentei o AA quatro meses. Achei ultrapassado, deprimente. Saía tremendo das reuniões, com mais vontade de beber.
Lá, as pessoas falam o tempo todo de álcool. Não acho que isso ajude.
A facilidade de chegar é a única coisa boa. Não tem triagem, ninguém pergunta seu nome. É bom acolher quem tem vergonha.
Mas se alguém falta, já dizem: “Será que fulano não veio por que bebeu?”.
Não vejo o AA como método terapêutico. As pessoas depõem, mas não têm nenhum retorno.
Eu era chef de bar em restaurantes. Foi um gatilho. Era a raposa cuidando do galinheiro. Bebia o bar todo, me descontrolava.
Eu mesma me internei quatro vezes. Fui ao AA porque todos falavam que era bom. Funciona, para alguns. Para mim, não.”

TIPOS DE TRATAMENTO
PARA O ALCOOLISMO

- Alcoólicos Anônimos e outros grupos de ajuda mútua que seguem ou não os 12 passos do AA

- Psicoterapia

- Remédios que diminuem o desejo pelo álcool e antidepressivos

- Combinação de psicoterapia e medicação

- Internação, em casos de problemas mentais e doenças associadas

TAXAS DE ABSTINÊNCIA
DE CADA TRATAMENTO

9%
Alcoólicos Anônimos

10%
Nenhum tratamento

14% a 19%
Psicoterapia

16% a 21%
Medicação

33% a 36%
Combinação de medicação e psicoterapia

OUTRO LADO

“Não somos exclusivistas nem temos pretensão de onipotência”

DE SÃO PAULO

Coordenadores de divulgação do AA, Hugo e Silvio dizem que o método não tem a pretensão da onipotência. “Se alguém pode ser internado, ir ao AA e fazer terapia, estará mais coberto. Não há concorrência, não somos exclusivistas”, disse Hugo.
Para ele, os motivos que levam à desistência do tratamento são as características da própria doença.
Sobre o fato de muitos dos frequentadores terem outras doenças, Hugo diz: “Não somos profissionais da saúde para diagnosticar. Hoje o AA aceita que a pessoa tome antidepressivo. Há bebedores com outras doenças psiquiátricas. Se não pudermos resolver, passamos a bola.”
De acordo com Hugo, não é preciso retorno para as falas. A pessoa é apoiada pelo grupo e se identifica com ele.
Em relação à crítica ao cunho religioso, Hugo diz: “Nossa experiência é comprovada e vem de correntes psicológicas, médicas e religiosas, sim, mas também há ateus, espíritas e umbandistas que frequentam o AA.”
Um dos 12 passos fala de um ser superior, mas, segundo Hugo, cada um o interpreta como quiser. Para alguns, esse ser é o próprio AA.
Silvio afirma que o AA não é rígido. “Tentamos prevenir a recaída. Mas ela não nos surpreende. Ninguém é estigmatizado por isso.”
À afirmação de Charlie Sheen, que disse que o AA é um culto, Hugo responde: “Há, sim, frequentadores fanáticos. Mas essa não é uma característica da entidade.”

Posts Recentes | Recent Posts:


2 Responses to “Valeu, Charlie Sheen – Alcoólicos Anônimos contestados na Folha”

  1. TERMOS IMPRÓPRIOS EMPREGADOS (PELO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO) NA REPORTAGEM “Grupo dos Alcoólicos Anônimos tem a sua eficácia contestada”, de 27/03/11.

    Agora que o debate não está mais intensificado, cabe esclarecer alguns pontos importantes, sobre termos inadequados empregados pela jornalista encarregada da matéria da Folha de São Paulo, sendo que a maior parte deles foi atribuída à minha pessoa. Só não alertamos sobre esses inconvenientes no auge dos debates, com receio de que nosso pronunciamento pudesse mudar o foco das discussões, mas a questão é de alta relevância e achamos que todos deveriam tomar conhecimento sobre os comentários que passamos a fazer:
    Na entrevista que concedi ao jornal alertei a jornalista para os termos inadequados usualmente empregados por leigos em dependência de álcool. Nesta entrevista de quase uma hora e meia, parte da mesma foi para esclarecer sobre este ponto, muito importante, pois alguns deles ajudam a estigmatizar os dependentes. A pedido do jornal, cedi um exemplar do meu livro O mito da doença espiritual na dependência de álcool: Desmistificando Bill Wilson e Alcoólicos Anônimos, em que eu alerto para o problema, e explico sobre as consequências que tais inadequações refletem em todos os dependentes. Mas a jornalista não levou em conta essa nossa contribuição e achou mais conveniente empregar termos sensacionalistas normalmente utilizados pelos profissionais desavisados da mídia.
    Primeiramente a jornalista diz que eu sou um ex-frequentador de A.A., o que não é verdade. Quando fui perguntado reincidentemente se fui membro de A.A., deixei claro para a jornalista que não o fui, porque não aceitei o programa da irmandade, que na época em que procurei a irmandade buscando ajuda, achei o programa preconceituoso e discriminatório, e até ofensivo (opinião partilhada por muitos dependentes – veja comentários de dois deles aqui no meu blogue).
    A frase seguinte, atribuída a mim, em que diz “No AA, o dependente é tratado como pecador e deve aceitar um programa espiritual para ser curado”, leva o leitor mais atento (os especialistas e outros profissionais da área de saúde) a suspeitar de meus conhecimentos sobre o tema. Na verdade eu nunca empreguei o termo “cura” ao me referir a drogadição, já que é largamente sabido e difundido (eu próprio já o afirmei, em meus livros, artigos e em entrevistas) que a doença não tem cura, fato que a jornalista foi devidamente cientificada.
    Posteriormente, na matéria, a jornalista diz: “Para Bahia, o AA é baseado numa ideia antiga de que vício é desvio de caráter.”. Aí está outro termo pelo qual não tenho a menor simpatia e que evito sistematicamente: vício. E este termo mereceu destaque nos meus alertas à jornalista, pois quase sempre os profissionais da mídia mostram uma predileção injustificada por ele, e isso foi dito nestas mesmas palavras à desatenta profissional, além evidentemente das explicações salientadas em minhas obras, principalmente no livro em questão, enviado à jornalista. Neste meu livro uso a palavra “vício” apenas quatro vezes, assim mesmo porque elas estavam contidas em citações que faço, e a meu critério, e como manda a boa prática literária, não se muda citação. Uso assiduamente o termo “dependência de álcool” que é o termo mais adequado e menos estigmatizante. A palavra “vício” está completamente em desuso (exceto para muitos jornalistas) em drogadição , servindo-se muito mais para se referir à deformação moral das pessoas ou objetos, completamente inadequada para se referir a uma doença. E esta é uma das grandes dificuldades dos profissionais da mídia: ver as dependências – todas elas – como doenças simplesmente. Quase sempre é escandalizante para a mídia.
    Quero dizer sobre outra frase que me é atribuída, quando é dito que “o programa estigmatiza o paciente, e a sociedade tem uma visão deturpada do alcoolismo por causa dele.”. Assim como a palavra alcoólatra, alcoolismo é outro termo de que não faço uso, exceto em citações, ainda que sejam palavras usadas com frequência, inclusive por especialistas. Assim nos explicamos em nosso livro aqui referenciado:
    O leitor já deve ter observado que, ao longo das páginas anteriores, evitamos as palavras alcoólatra e alcoolismo, a não ser quando se tratava de referência – quando outros assim mencionavam. Achamos melhor evitar essas palavras, não porque elas estejam nominalmente erradas, mas porque o emprego delas acabou sendo desvirtuado ao longo do tempo e hoje são estigmatizantes. Essas palavras já não servem para designar uma doença ou um doente. Esse uso, digamos, tornado impróprio pelo seu mau uso ou viciado, acabou por desqualificá-las como significativas de um conceito na sua mais pura essência. Aquelas palavras servem muito mais para fins pejorativos do que para designar o doente ou a doença; são mais utilizadas para provocar, discriminar, ofender e/ou ferir.{…]“ O termo alcoólatra confere uma identidade e impõe um estigma, que anula todas as outras identidades do sujeito, tornando-o tão somente aquilo que ele faz e que é socialmente condenado, não pelo que faz, mas pelo modo como o faz. Em outros termos, não é a bebia em si, mas aquela pessoa que bebe mal, isto é, de modo abusivo, desregrado, que a leva à condição de ser socialmente identificada popularmente como “alcoólatra”, ou seja, quem “idolatra”, “adora” e se tornou dependente do álcool.
    Finalmente quero dizer que o entendimento que o público possa ter tido de meu livro ou de minha pessoa, pode ter sido prejudicado devido aos deslizes cometidos pelos que conduziram a matéria jornalística. E embora meu livro se destine ao grande público, porque foi cuidadosamente preparado para este fim, em uma linguagem muito simples – acessível até para alunos do ensino médio -, sentimos que a abordagem inapropriada prejudicou nossa imagem. Nossos cuidados para um grande alcance do livro se devem principalmente porque não há quem não viva sob as interferências maléficas das dependências do álcool, que é classificada como um dos maiores problemas de saúde pública mundial. Ele é um livro científico. Mas nossa maior preocupação com as repercussões negativas estão ligadas aos especialistas, que podem ter deixado se influenciar pelas colocações inoportunas da jornalista. E assim, com a presente retificação, realinhando nossa verdadeira ideologia sobre alguns aspectos do tema, esperamos minimizar os efeitos perniciosos que foram provocados pela matéria.

  2. hectorlima says:

    obrigado por dividir seu depoimento


RECOMENDADOS: