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DIAL H – China Miéville e Mateus Santolouco trabalham bem no delivery de heróis

dentro da novíssima-nova leva de títulos da DC Comics saiu hoje DIAL H, reboot [ou continuação, não sei] do antigo DIAL H FOR HERO, em que uma pessoa comum entra numa cabine telefônica, ganha poderes e se transforma em um super-herói durante algumas horas. um exercício maluco e divertido de criação de personagens.

o premiado e prolífico escritor inglês China Miéville atualizou o conceito de um jeito muito simples, mas certeiro: pela estranheza do Realismo Fantástico. ninguém – até agora, pelo menos – invoca os poderes através de um celular, mas precisa de fato entrar na misteriosa cabine telefônica, quase um mini-altar perdido no meio da cidade – e discar o número mágico. Nelse, um gordinho bem intencionado e tabagista que sofre de Depressão, é o herói involuntário da ocasião, transformando-se no Garoto Chaminé [um Máscara que mão é a incorporação do humor e sarcasmo, mas do… cigarro] e no Capitão Lacrimoso [um Super-Emo que se alimenta das memórias tristes alheias] para ajudar um amigo a escapar de traficantes. as falas do Boy Chimney e as memórias que o Captain Lacrimose traz à tona são ao mesmo tempo belas e grotescas, em cenas que lembram o DOOM PATROL do Grant Morrison.

a arte do Mateus Santolouco – um dos meus desenhistas brasileiros preferidos – dá o clima decadente certo pra história; agora não consigo imaginar outra arte que casaria melhor. o gaúcho tá afiado, tendo vindo recentemente do reboot das TARTARUGAS NINJA pra IBW, da participação especial no VAMPIRO AMERICANO e dos zines SUPREME, OBSCENE e EXTREME [algumas das melhores coisas que peguei no FIQ 2011]. a energia da fluidez caligráfica junto ao peso e volume sujeira da arte final dão uma cara de HQ independente e punk que pelo visto tem a ver com a proposta do Miéville. quero um dia ter a chance de trabalhar com esse cara.

e pra completar a capa é do Brian Bolland e a edição da revista é da Karen Berger, a chefe do selo Vertigo. acabei de colocar mais um título na lista de leitura mensal. veja um preview no CBR. e a versão digital tem à venda no Comixology.

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