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E se WALKING DEAD #100 for a HQ mais vendida de 2012?

Charlie Adlard

quem acompanha as listas de mais vendidos de HQ – comentadas no Comics Beat, por exemplo – sabe que o caminho natural de uma HQ é sempre vender cada vez menos, com alguns picos aqui e ali em ocasiões especiais. há alguns anos THE WALKING DEAD já surpreendia um pouco por ser uma das poucas séries mensais a vender um pouco mais a cada mês, ainda mais por ser autoral. isso em um mercado dominado por super-heróis cujos detentores de direitos autorais são conglomerados de mídia [e seus acionistas]. o dono de WD é seu criador, o roteirista Robert Kirkman – os desenhistas Charlie Adlard e Tony Moore recebem royalties de venda das edições que fizeram [no caso de Moore, só do #1 ao #6].

Frank Quitely

antes mesmo de a série de TV do canal AMC estourar [pela qual Kirkman recebe uma boa grana de licenciamento e faz consultoria criativa], as vendas sempre foram grandes e crescentes. um verdadeiro fenômeno, a ponto de a Marvel propor ao seu ex-roteirista para levar o título para seu micro-selo autoral Icon, para onde foram CASANOVA e POWERS. mas a editora Image, em uma jogada esperta, quis segurar sua galinha dos ovos de ouro e em 2008 fez de Kirkman um parceiro da editora, sócio mesmo, e lhe deu o selo Skybound, onde ele lança o que quiser.

Mark Silvestri

a série de TV, vista por uma média de 7 milhões de espectadores, se reverte em vendas e faz a alegria dos donos de lojas especializadas em HQ e de livrarias em geral. porque tem aquela vantagem que as HQs de super-heróis não têm: a venda casada é fácil. você começa a assistir a série e quer ler a HQ; chega na livraria e só tem uma única história e continuidade de WALKING DEAD pra acompanhar [ajuda o fato de a adaptação ser no geral bem fiel, em termos de história e principalmente atmosfera].

Todd McFarlane

quem adorou o filme dos VINGADORES – e não foi pouca gente – chega na livraria e tem dificuldade de escolher o que comprar. são décadas de histórias, vários enredos diferentes, remakes, reboots, retcons, versões de mundo paralelo etc. WATCHMEN e 300 DE ESPARTA foram outros exemplos de adaptações cinematográficas que se reverteram em vendas – no caso do primeiro, já no trailer.

Sean Phillips

dentro desse fenômeno, está sendo muito legal ver pessoas que nunca leram gibi, ou pararam de ler há tempos, indo atrás das revistas mensais, dos trade paperbacks, dos relançamentos THE WALKING DEAD WEEEKLY ou dos compendiums. eu pelo menos tenho visto amigos e conhecidos indo atrás. pra ter uma idéia geral, aqui tem alguns números de vendas de WD pré e pós série de TV.

Bryan Hitch

ao chegar perto da edição #100, os números voltam a crescer, e no #97 passou a barreira dos 50 mil, números que por incrível que pareça são sonho pra maioria dos títulos de super-heróis e inatingíveis pra um título autoral [nota: todos os números são de venda de revistas e livros impressos, sem considerar as vendas das versões digitais]:

10/2011: The Walking Dead #89 – 31,351 (-1.5%)
10/2011: The Walking Dead #90 – 31,778 (+1.4%)
11/2011: The Walking Dead #91 – 31,813 (+0.1%)
12/2011: The Walking Dead #92 – 31,496 (-0.1%)
01/2012: The Walking Dead #93 – 31,596 (+0.1%)
02/2012: The Walking Dead #94 – 32,361 (+2.4%)
03/2012: The Walking Dead #95 – 33,916 (+4.8%)
04/2012: The Walking Dead #96 – 36,931 (+8.9%)
——– The Walking Dead #97 – 53,733 (estimate)

Ryan Ottley

com isso o título entrou na lista dos Top 30 mais vendidos de Maio. e na lista de best-sellers da Amazon WD domina há muito tempo.

aí vem a notícia de que a edição #100 vai ter uma incrível tiragem de 300.000 exemplares [um número realmente grande, levando em conta a situação atual do mercado, diferente dos anos 90, quando X-MEN #1 do Jim Lee vendeu 1 milhão]. tenha em mente que isso não é pra desperdiçar em bancas de jornal como no Brasil, onde uma grande parte vira encalhe – isso é estimativa de venda de acordo com os pedidos feitos de antemão nas lojas – mais um chorinho pra garantir a demanda extra.

Charlie Adlard (wraparound)

obviamente vai ajudar o fato de essa edição especial ter 7 capas alternativas [cada uma correspondendo a uma pequena tiragem que, somadas, dão essas 300 mil revistas]. tem gente que torce o nariz pra capas alternativas porque nos anos 90 foram uma praga co-responsável pela especulação de colecionadores que gerou uma bolha especulativa no preço das revistas, mas elas ajudam nas vendas – ainda mais agora. as capas especiais de WD estão espalhadas pelo post e cada uma foi feita por um desenhista grande: Charlie Adlard [o desenhista da série, que fez duas versões], Mark Silvestri, Frank Quitely, Todd McFarlane, Sean Phillips, Bryan Hitch e Ryan Ottley.

Charlie Adlard (B&W wraparound)

se isso acontecer vai ser histórico. desde SPAWN #200 [publicado em 2000] um gibi cujos direitos são do próprio autor não chega ao topo das listas de mais vendidos. claro que há vários fatores envolvidos no sucesso: a moda do tema zumbis estar em um ótimo momento na Cultura Pop, a estrela ascendente de Kirkman, a série de TV, o apoio da editora Image, o buzz que o gibi gerou e que se retro-alimenta no boca-a-boca, o bom momento das HQs autorais. e o que mais? ninguém sabe, apenas que o sucesso aconteceu. pode ter rolado o fator sorte também, por que não? mas o que importa é que rolou e prova que é possível viver bem de fazer as próprias HQs.

Charlie Adlard (chromium wraparound)

confesso que me dá vontade de comprar todas as versões das capas pra fazer isso virar uma realidade – caramba, dá vontade de abrir uma loja… e não tem como negar que – infelizmente – o caso de WALKING DEAD não é regra, mas seria lindo se fosse, e justificaria o manifesto a favor dos Quadrinhos autorais que Kirkman gravou em vídeo quando saiu da Marvel pra se dedicar às próprias histórias, repetindo o movimento feito em 1992 pelos fundadores da Image. dá uma esperança legal pra quem vive ou quer viver de fazer os Quadrinhos um ótimo meio de sobrevivência a longo prazo:

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