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Como o Facebook ganhou dinheiro à sua custa em 2012

quando o Facebook abriu o capital em fevereiro, o criador-CEO-andróide Mark Zuckerberg declarou que, “É simples assim: não criamos serviços para ganhar dinheiro; ganhamos dinheiro para criar serviços melhores”.

oito meses de queda das ações nas bolsas de valores a frase ficou ainda mais evidente. não por ter sido desmentida, mas confirmada. a rede social eletrônica de amigos mais usada neste planeta realmente ganha dinheiro pra criar serviços melhores… pros seus anunciantes.

porque o produto a ser vendido somos nós: nossos dados, nossos gostos, todo o conteúdo que alimentamos todos os dias nas atualizações de status. nós somos o produto que o Facebook vende a uma média de US$ 5 por cabeça. Soylent green é feito de gente, mesmo.

isso não é uma “denúncia” como o movimento engraçado que se viu esta semana em reação à mudança de termos e serviços do Instagram [aplicativo cujo dono atual é o Zuckera], apenas uma constatação de como ainda não sabemos que não existe “almoço grátis”. algo sempre está sendo vendido: informação, produto ou serviço.

o Mashable compilou uma lista – mais detalhada no link – de como trabalhamos de graça para o maior bro do planeta:

histórias patrocinadas no mural
nossas curtidas em fan pages e posts específicos faz com que nos tornemos automaticamente “recomendadores” de campanhas publicitárias e marcas no mural / timeline de nossos contatos. já rendeu até processo pro site, mas atualmente rende US$ 1 milhão por dia pro Zucka, então está muito no lucro.

anúncios no aplicativo para celulares e tablets
rende hoje US$ 3 milhões por dia mostrar anúncios no aplicativo oficial, e ainda tem muito a crescer.

anúncios em aplicativos de outros desenvolvedores
modelo suspenso por hora, mas mesmo quando não se está no Facebook se vê anúncios que ele licencia.

posts promovidos
com o excesso de usuários e conteúdo postado, muita coisa se perde [ou o algoritmo esconde propositadamente, como especulou o Warren Ellis] – a menos que você pague para ter seu conteúdo visto por mais gente. já comprovei que funciona de verdade, mas não sei se é uma vantagem real ou apenas o método de bode na sala.

facebook gifts
pois é, existe a lujinha do markinho – em sua segunda tentativa. vai que um dia ele resolve competir com a Amazon, já que peitou a Google numa boa.

mensagens privadas pagas
o popular “me manda inbox” [como se fosse possível mandar uma caixa de correio inteira] agora permite que se pague US$ 1 para enviar mensagens particulares a quem não é seu amigo. paraíso dos spammers.

anúncios em vídeo na timeline
esse ainda é apenas um boato mas diz a lenda que em abril podem começar a aparecer os primeiros anúncios não-solicitados no meio dos posts – com autoplay ainda por cima. e a gente achando ruim os anúncios do youtube…

obviamente um site gigantesco como o Facebook, com 1 bilhão de usuários cadastrados [mais ou menos 1/6 da população planetária], precisa fazer dinheiro pra se manter. a Google também faz isso, ou você nunca viu os anúncios dentro do seu Gmail ou nas suas buscas?

mas a ganância sem limites, que leva à falta de transparência com usuários e mudança de termos de serviço sem mais nem menos, me faz pensar que não é bem uma troca justa.

precisamos só ter mais consciência de quando estamos usando o Facebook a nosso favor [às vezes, para ficar em contato com quem gostamos, nos informar um pouco e divulgar algo nosso] e de quando ele está nos usando em seu benefício [sempre, já que mesmo quando divulgamos algo nosso estamos criando conteúdo para ele vender].

via @spiceee

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3 responses to “Como o Facebook ganhou dinheiro à sua custa em 2012”

  1. Chester says:

    Excelente artigo, Hector! especialmente por focar no fato de isso não ser o mal encarnado, mas apenas reflexo da máxima “se você não está pagando pelo produto, você é o produto” – e do fato de que, muitas vezes, isso é um bom negócio para ambas as partes.

    Apenas discordo um pouquinho na parte de $1/e-mail não solicitado ser o “paraíso dos spammers”. Sempre se teoriza que se e-mail tradicional custasse, digamos, $0.001 por envio, isso custaria para o cidadão normal coisa de $1 por ano, mas provavelmente invalidaria uma grande quantidade dos e-mails em massa (também inviabilizaria listas de e-mail maiores que um pequeno grupo, mas é outra história).

    Só o fato de o marqueteiro pagar já vai fazer ele prestar mais atenção ao targeting – e o Facebook dá a ele as ferramentas. O resultado, a meu ver, é muito MENOS publicidade, e muito MAIS chance de a publicidade ser sobre algo que realmente me interessa!

    P.S.: nenhuma chance de Sabor Brasilis sair digital (ex.: comiXology, Kobo) para os nômades como eu, né? :-)

    • hectorlima says:

      oi, Chester, valeu pelo comentário! é uma boa visão.

      ainda não existem planos pra SABOR sair em digital, mas queremos que isso role o quanto antes! no fim do ano não conseguimos resolver isso mas assim que passarem as festas vamos ver com o editor. =)

  2. Chester says:

    (argh, e-mail errado no post anterior)


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