ESCRITÓRIO NOTURNOTHE MAJORNECRONAUTA - O ALMANAQUE DOS MORTOSMSP - NOVOS 50

Como o Festival Internacional de Quadrinhos gerou a Organização Fictícia

WP_20131115_015[1]

o Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte (FIQ) dura normalmente 5 dias – e no momento em que escrevo esse post já acabou faz mais de uma semana. mas tal qual aquelas férias inesquecíveis não sai da cabeça. eu disse que tinha muita coisa boa pra falar do festival.

inclusive programei as minhas no trabalho para coincidirem com Novembro pra não perder o evento. meu primeiro havia sido o 7º, de 2011. Pablo, George e Felipe – os comparsas de INKSHOT e SABOR BRASILIS – já haviam ido em vários e sempre recomendavam. naquele de 2011 fomos meio como público, meio tateando o chão quadriculado da charmosa Serraria Souza Pinto com alguns gibis debaixo do braço.

cada um deles tinha o seu gibi auto-publicado pra mostrar e eu levei… um flyer dos meus. porque tinha ficado sem grana nem tempo hábil pra mandar fazer MAJOR e ESCRITÓRIO NOTURNO. só de fazer o flyer já deu pra ver como o maior evento de gibi poderia afetar a divulgação de um trabalho.

WP_20131113_008[1]

é muito bom ir como público e não posso deixar de recomendar: o FIQ tem entrada franca [graças a várias parcerias públicas e privadas], você pode assistir a todas as palestras e oficinas que aguentar, ficar na fila que quiser para pegar autógrafos e tirar fotos de autores que admira [sejam brasileiros ou estrangeiros, que circulam por lá numa boa], ver cosplayers, encontrar amigos do Brasil todo e fazer novos. foi o que fizemos, é o que ainda fazemos. encontramos pela primeira vez ao vivo Matheus Sant’Anna e Felipe Sobreiro [com quem eu papeava há mais de 10 anos pela internet] e um grupo de ideias parecidas se formava. só a experiência de se divertir viajando junto já vale.

no fim de semana daquele evento já tínhamos deixado a prévia da SABOR BRASILIS na mão de todos os editores e jornalistas possíveis mas faltava algo. então colamos no Dalts e no Magenta King, que estavam com sua EP em uma mesa e pedimos pra rachar o espaço, o que eles muito gentilmente fizeram e terão sempre nossa gratidão. dali aquela dupla partiria para se juntar com caras muito legais como os irmãos Costa para formar o Bimbo Groovy

naquele sábado e domingo em nossa meia mesa improvisada percebemos que era possível fazermos mais, muito mais. então logo após o fim do FIQ 2011 surgia o embrião da Organização Fictícia. fiquei sentado em cima do conceito durante praticamente todo o ano seguinte, enquanto lançávamos a SABOR pela Zarabatana Books e bolávamos novos projetos.

fanpage-logoquanto mais o tempo passava mais ficava claro que o caminho natural era sermos um coletivo de produção de gibis que também fornece serviços de narrativa gráfica pra clientes. vamos ainda começar a mexer com a segunda parte desse conceito, mas a produção de histórias segue, e isso é o que interessa. acabamos conhecendo a Camila Torrano, que compartilhava com a gente objetivos e anseios – além de vários gostos e estilos preferidos. então montamos inicialmente esse grupo de sete pessoas, sob a orientação de um mentor meio avesso aos holofotes, e estreamos no FIQ 2013 com um estande cheio de publicações e prints.

e foi uma experiência incrível. é como ter uma miniloja durante cinco dias, com toda a correria que isso exige. aprendemos muito, errando e acertando, e tentamos ver o FIQ como uma espécie de vestibular, o momento de testar tudo o que vinha sendo feito e ver se dá certo. nesse mercado em formação eventos assim nos dão um norte, um prazo final, um motivo para nos programar e nos organizar. só assim pra dar certo.

e pode dar muito certo. os números compilados pelo Paulo Ramos do Blog dos Quadrinhos não mentem: os grupos independentes estão sendo a ponta de lança desse tal mercado em formação. eles estão suprindo a ausência das editoras não só nos eventos [como notou o Samir no Universo HQ] mas também na vazão dessa produção. claro que elas têm limites de orçamento e agenda, assim como os próprios autores têm os seus. acho até que em breve é possível as editoras terem mais presença não só no FIQ mas na Gibicon [de Curitiba, que vai se revezar bienalmente com o evento de BH], Multiverso [de Porto Alegre], HQ Con [de Florianópolis], FLIQ [de Natal] Festcomix e Anime Friends [de São Paulo] e todas as convenções que vierem a nascer pelo país. mas enquanto isso os autores seguem produzindo e publicando.

quem está mostrando uma visão editorial incrível no meio desse turbilhão é Sidney Gusman, coordenador editorial da Mauricio de Sousa Produções, que abriu os olhos do pai da Mônica para variedade de estilos e gêneros para o que os “novos 150″ estão fazendo. e nessas está com o selo Graphic MSP criando uma espécie de Marvel brasileira, com novas interpretações para os velhos personagens. isso não tem gerado apenas reações emocionadas, mas muitas vendas e atenção dos leitores para autores dos quais no geral nunca haviam ouvido falar. e alguns dos quais o Sidão descobriu num boneco da INKSHOT que circulou pelo FIQ de 2009…

o panorama brasileiro de gibis está muito interessante. e ele sempre passa pelo Festival Internacional de Quadrinhos, que forma não só público mas também novas iniciativas, fomenta novas ideias. e por essas e outras ele tem que ser celebrado. já estamos pensando no que fazer daqui pra frente pra quando 2015 vier estarmos preparados. como dizem os organizadores e curadores do evento, que o próximo FIQ chegue logo.

Posts Recentes | Recent Posts:

Leia também: / Read More:

A small dose of Sabor Brasilis
Efeito FIQ 2011 nas minhas HQs
SABOR BRASILIS saiu do forno
Pacote irmãos Costa

Comments are closed.


RECOMENDADOS: