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Futuro Feroz: Deus Dinheiro, eu faço tudo por você

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2013, Futuro Feroz. ruína distópica com excesso de informação, de distrações e de opções de compra, pra temperar e amenizar.

abaixo trecho da entrevista com o escritor e filósofo italiano Giorgio Agamben, estudioso de Walter Benjamin, feita no fim do ano passado. ela traça paralelos aparentemente óbvios mas que têm muito a ver com a nossa mitologia moderna, correndo invisível pelas sinapses dos nossos cérebros e guiando nossos movimentos, como bons devotos que somos:

[...]
“Crise” e “economia” atualmente não são usadas como conceitos, mas como palavras de ordem, que servem para impor e para fazer com que se aceitem medidas e restrições que as pessoas não têm motivo algum para aceitar. “Crise” hoje em dia significa simplesmente “você deve obedecer!”. Creio que seja evidente para todos que a chamada “crise” já dura decênios e nada mais é senão o modo normal como funciona o capitalismo em nosso tempo. E se trata de um funcionamento que nada tem de racional.

Para entendermos o que está acontecendo, é preciso tomar ao pé da letra a ideia de Walter Benjamin, segundo o qual o capitalismo é, realmente, uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro. Deus não morreu, ele se tornou Dinheiro. O Banco – com os seus cinzentos funcionários e especialistas – assumiu o lugar da Igreja e dos seus padres e, governando o crédito (até mesmo o crédito dos Estados, que docilmente abdicaram de sua soberania), manipula e gere a fé – a escassa, incerta confiança – que o nosso tempo ainda traz consigo. Além disso, o fato de o capitalismo ser hoje uma religião, nada o mostra melhor do que o titulo de um grande jornal nacional (italiano) de alguns dias atrás: “salvar o euro a qualquer preço”. Isso mesmo, “salvar” é um termo religioso, mas o que significa “a qualquer preço”? Até ao preço de “sacrificar” vidas humanas? Só numa perspectiva religiosa (ou melhor, pseudo-religiosa) podem ser feitas afirmações tão evidentemente absurdas e desumanas.
[...]

entrevista completa aqui.

Mais leitura: Quando a religião do dinheiro devora o futuro, por Giorgio Agamben, cujos livros mais recentes saíram no Brasil pela Editora Boitempo.

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via @juju_gomes

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Circulando, cidadãos. O negócio dos seus patrões está protegido mais uma vez.

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