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A campanha continua: pare de usar “confira”

no longínquo ano do nosso senhor de 2009 fiz este post para o blog coletivo Goma de Mascar, que eu editava na época.

achei que valia a pena resgatá-lo e repostá-lo aqui no meu espaço, pra que novas gerações tenham contato com essa informação de suma importância para o futuro da Humanidade.

um ex-colega de trabalho já me havia dito que esta é uma batalha completamente perdida, e tenho noção disso, porque o uso continua indiscriminado – apesar de uma certa queda recente.

o uso já praticamente validou esse erro como parte da nossa língua e acho bem possível o significado acabar sendo alterado em edições futuras dos dicionários… mas por hora, via de regra: pare de usar “confira”. por favor.

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Esses dias um de nossos colaboradores perguntou por que eu havia editado seu texto e mudado o “confira” pra “veja”. Essa é uma questão que estou pra abordar faz tempo aqui na Goma, e vivia adiando pra não parecer chato nem metido, mas é algo importante para a saúde e o bem estar da População – então vamos lá:

Pare de usar o verbo CONFERIR no imperativo.

“Tá maluco, Hector?” Sim, maluco de amor pelos meus olhos e ouvidos. Eles sangram toda vez que ouço ou leio o verbo “conferir” ser usado no sentido de “veja”, “leia” ou “olhe” e afins.

No Jornalismo em geral é muito comum ele ser usado assim. Na TV não tem um dia em que eu não ouça pelo menos uma vez. Nas mídias impressa e digital a mesma coisa, talvez com frequência ainda maior. Mas o verbo “conferir” não tem esse sentido. Veja:

Conferir
v.t. Verificar, ver se está certo.
Comparar, confrontar.
Dar, conceder, outorgar (prêmios, honrarias).
V.i. Estar exato, conforme: a cópia e o original conferem.

Sinônimos de Conferir
certificar, confirmar, corrobar, reconhecer e verificar

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Dizer “confira o texto [as imagens, a matéria etc]” é a mesma coisa que dizer “verifique pra ver se está certo”. E não é isso que você está querendo dizer, né? Você não quer que seu leitor \ telespectador \ ouvinte seja um conferidor de uma lista de itens ou de procedência de informações. Você quer que ele “veja” ou “leia” aquilo que você quer apresentar.

Se o seu mundo caiu, sua cabeça explodiu e o chão parece ter sumido abaixo de seus pés, mal aê. Mas é isso. “Confira” não deve ser usado para dizer “veja”, mas infelizmente muita gente faz esse uso errado. Até nossos irmãos d’além-mar concordam.

Momento Prof. Pasquale: tudo bem… o uso, mesmo errado, força informalmente que certos casos tornem-se aceitos porque a língua evolui conforme o uso, não conforme as regras formais. O uso sempre causa a transformação. Isso rolou com ‘suporte técnico’, ‘liga pro suporte’, que é uma tradução literal do ‘support’ inglês. O certo seria usar ‘apoio’, ‘assistência [técnica,em alguns casos]‘. Mas com o uso acabou virando o sentido comum, aceito e usado por todos.

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No caso do “conferir” isso também pode acontecer e eu sou a favor da informalidade sempre, do popular, isso você já sabia. Mas no caso do “conferir” isso é tão zoado que eu não resisto. Morre uma criança faminta a cada vez que algum jornalista fala isso na TV, ou escreve em algum texto. É frescura minha encanar com isso, reconheço, mas é mais forte que eu. E me recuso a aceitar.

Assim como todo mundo parou formalmente de usar “risco de vida” e trocou pra “risco de morte” é muito fácil fazer essa mudança – só começar a usar do jeito certo.

Então é isso: pare de usar “confira”, prefira usar “veja”, “leia” e afins. Até “óia” tá valendo. Seu leitor agradece.

 

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